A Conversão segundo Cristo

A Conversão segundo Cristo

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“A conversão que Cristo prega não é a volta ao passado e, nem mesmo, o ferrenho apego a tradições vazias e sem sentido, como comenta o próprio Jesus de Nazaré. É preciso caminhar por estradas novas, caminhos estreitos…”, disse o Cardeal Eusébio Scheid.

“Convertei-vos!”
Foi através do convite à conversão e à aceitação do Evangelho, que Jesus Cristo começou a traçar os novos rumos da história e a modelar o ‘homem novo, segundo a justiça e a santidade da verdade’: ‘Convertei-vos! Crede na Boa-Notícia’ (Mc 1,15). É um convite, um imperativo, uma exigência.
Tomar atitudes novas, duradouras, não raro, opostas a hábitos inveterados, causa espanto, desconforto, aversão. Hoje, mais do que nunca, apraz-nos o provisório, o mutável, descartável e ‘re-inventável’: a novidade.
A fundamentação mais universal para indicar a conversão é a da mudança. Daí surge a primeira questão: quem deve mudar, a realidade, os condicionamentos, as estruturas ou o indivíduo que é o atingido ou mesmo o causador dessas estruturas? A evasiva mais fácil é a de culpar as estruturas e, com isso, continuar na rotina do ‘deixa andar’. Parece a evasiva mais fácil…
Converter-se é mudar, ser diferente, mudar de rumo, agir de maneira diversa. Segundo a Bíblia, a conversão implica em mudança de mentalidade (matánoia): assumir uma cosmovisão diferente, valores novos, postura ética de outro feitio e vertente. Postula mudança de rumo e de prospectiva.
É bem verdade, que a conversão pressupõe, como primeiro passo, o conhecimento da realidade a ser transformada. Exige um profundo conhecimento de si mesmo e de tudo aquilo que afeta e pode modificar a minha pessoa, ou melhor, minha personalidade. Perguntamo-nos o que Cristo intentava, quando convidou seus ouvintes à conversão: ‘Convertei-vos! Crede na Boa-Nova!’. Estava em jogo, naquela hora, a própria finalidade da sua vinda ao mundo, o conteúdo de seu ensinamento e de seu modo de agir. Primeiramente, Cristo nos veio ensinar a ser filhos e filhas de Deus e, de conseqüência, a ser irmãos e irmãs.
Parece simples e, contudo, é o caminho de conversão mais difícil. Ser filho e filha de Deus importa em ‘estar nas coisas do Pai’ (Lc 2,49), sem esquecer as da terra. Cuidar e amar o que é terreno em vista do que é eterno. São normas fundamentais e irrenunciáveis. É o equilíbrio entre materialismo e alienações. Quando se fala de conversão, assalta-nos uma certa tristeza, medo e insegurança. Trata-se de algo novo, omitido ou nunca antes pensado como urgente.
Ao falar de conversão para Deus e para os irmãos, entramos no âmbito da familiaridade com as coisas do Alto e da fraternidade, apoiada em verdades reveladas: ‘Vós todos sois irmãos’ (Mt 23,8); trazemos em nós a estampa do Criador (Gn 1,26), que vai respeitada por ser a identidade de nossa própria origem; somos conduzidos pelo Espírito, destinatários do mesmo fim: ‘Nosso coração está irrequieto até que descanse em vós’ (Confissões de Santo Agostinho, 1,1). Os irmãos e irmãs estão em nível de ‘parentesco’ em Deus.
Quando repensamos certas conversões, tais como: a de São Pedro, de São Paulo, de Santo Agostinho, de Edith Stein, de John Wu, de São Francisco de Assis e tantas outras, não podemos deixar de admirar a magnanimidade de Deus e a firmeza de vontade dos convertidos. Não voltam atrás no passo dado, ainda, que lhes custasse o sacrifício da vida.
A conversão que Cristo prega não é a volta ao passado e, nem mesmo, o ferrenho apego a tradições vazias e sem sentido, como comenta o próprio Jesus de Nazaré.
É preciso caminhar por estradas novas, caminhos estreitos… Sem apego às paisagens à beira do caminho, sem saudades do que ficou para trás, rasgando os horizontes do desconhecido, mas, com a certeza de um destino certo, porque Jesus, ‘caminho, verdade e vida’ (Jo 14,6) vai conosco, vai à frente.
Conversão é o ‘avançar para águas mais profundas’ (Lc 5,4); é buscar a santidade no pensar e agir; ansiar pela amizade com Deus, ‘único necessário’ (Lc 10,42); é confiar na onipotência de quem amamos com novo amor e que pode ‘transformar pedras em filhos de Abraão’ e apoiar-se na força transformadora da Palavra de Deus e dos Sacramentos; é o alentar-se pela esperança que me garante o resultado certo pelo auxílio do ardor do Espírito.

‘Voltai para mim de todo o coração, chorando e batendo no peito. Rasgai vossos corações… Voltai para o Senhor, vosso Deus, pois Ele é bom e cheio de misericórdia’ (cf. Joel 2,12-13)”
Fonte: Escola de Formação Shalom

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