As pragas do mundo de hoje na Via Sacra do Coliseu. O texto, preparado por um bispo italiano, será publicado terça-feira

0 51

Na Sexta-feira Santa, 18 de Abril, no Coliseu, a Via Sacra presidida pelo Papa convidará a refletir sobre a crise econômica e as suas graves consequências, sobre as histórias dos imigrantes, sobre os males que ceifam a vida de muitos jovens. Os textos das meditações – publicados nesta terça-feira pela Livraria Editora do Vaticano – foram escritos por Dom Giancarlo Bregantini, Arcebispo de Campobasso, que nas 14 estações da Paixão evoca as pragas do mundo de hoje e todos aqueles dramas que conheceu como pastor de Dioceses do Sul da Itália: as mortes causadas pelo lixo tóxico, as condições dos detidos em prisões superlotadas.

No madeiro da cruz de Cristo estão os pecados do homem, as injustiças produzidas pela crise económica, “com as suas graves consequências sociais”, tais como a insegurança no emprego, o desemprego, a especulação financeira, os suicídios dos empresários, a corrupção e a usura. Jesus leva-os consigo ao Calvário, para ensinar que a vida deve ser vivida não na injustiça, mas criando “pontes de solidariedade”, “vencer o medo do isolamento, recuperando a estimativa pela política” e procurando soluções comuns para os problemas sociais.

Nas meditações escritas para a Via Sacra da Sexta-Feira Santa no Coliseu, Dom Giancarlo Bregantini traz as pragas do mundo de hoje. Nas suas reflexões estão os dramas dos imigrantes, as feridas das mulheres que são vítimas de violência, os traumas das crianças abusadas, a dor daquelas mães que perderam os seus filhos em guerras, no abismo das drogas ou do álcool. Mas em Jesus que cai por três vezes no caminho para o Gólgota, o Arcebispo de Campobasso faz ver também a certeza da esperança: dentro da prova, a oração intensa a Deus torna mais leve toda a cruz de cada um. E assim de Cristo se aprende a aceitar as fragilidades, a não desanime por qualquer falha. Pelo contrário, Simão de Cirene, o homem que ajudou o Filho de Deus a levar a cruz, hoje nos diz que ir ao encontro do outro, oferecer a própria ajuda, cria fraternidade, e faz descobrir Deus em cada ser humano.
E estão também as realidades do Sul da Itália na Via Sacra de Dom Bregantini: as crianças mortas por cancros causados pelos incêndios de resíduos tóxicos, as necessidades daqueles que pedem asilo, procuram uma nova pátria mas encontram as portas fechadas. Os últimos da sociedade de hoje estão lá, nas várias estações da Via Sacra, onde os sofrimentos de Cristo recordam os sofrimentos dos detidos em prisões superlotadas – com excesso de burocracia e uma justiça lenta – ou em institutos penitenciários sombrios, onde a tortura é, por vezes, ainda uma prática.
Mas está também a Igreja na Paixão de Jesus, e símbolo dela é a sua túnica que permanece intacta, que remete à unidade que deve ser recuperada, àquela harmonia que se deve alcançar com um “caminho paciente, numa paz artesanal, construída dia após dia” através da fraternidade, a reconciliação e o perdão mútuo. E se a imagem dolorosa de Jesus deposto da cruz e nos braços de Maria tem percorrido os séculos, outra coisa nos diz este ícone chamado “Pietà”: “a morte não quebra o amor. Porque o amor é mais forte que a morte … Quem está pronto para sacrificar a sua vida por Cristo, vai encontrá-la novamente. Transfigurada, depois da morte. “

 Fonte: Rádio Vaticana

Tagged with:

Artigos Similares

Deixe seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Seu comentário será publicado após aprovação! *Campos obrigatórios. *