Caminhada contra o tráfico humano reúne 500 pessoas na capital do Brasil

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Na noite desta quarta-feira, 11 de junho, 500 pessoas se reuniram na Esplanada dos Ministérios para a caminhada luminosa contra o tráfico humano. A concentração começou às 19h, no Museu da República, e seguiu pelo Eixo Monumental ocupando duas faixas de pista.

Em mãos, os participantes – jovens, padres e religiosas – carregavam lanternas e flores, esta última representando cada uma das vítimas mortas ou desaparecidas em decorrência do tráfico humano. A iniciativa é uma das ações da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) e da Rede Um Grito pela Vida, pertencente à entidade, sobre a questão.

Juntas, estas organizações promovem a campanha Jogue a favor da vida – Denuncie o tráfico humano. De acordo com organizações da sociedade civil dos últimos dois países sede da Copa do Mundo, houve um aumento de 30% a 40% do tráfico humano na Alemanha e África do Sul, respectivamente, por conta da exploração sexual durante o evento.

Irmã Maria Inês Vieira, presidente da CRB, esteve presente na caminhada e ressaltou a luta pela dignidade de cada pessoa. “Nós queremos que nosso povo, nossas famílias, nossos jovens, sejam respeitados. Os seres humanos não merecem ser traficados como mercadoria, nós não queremos isso para a nossa sociedade. Por isso estamos aqui para dizer: queremos um Brasil mais justo, queremos um Brasil igualitário, um Brasil humano, que não trafique pessoas, que não destrua seres humanos”.

Dom Pedro Brito, presidente da Comissão dos Ministérios Ordenados e Vida Consagrada, representou dom Leonardo Ulrih Steiner, bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), na caminhada. “Estamos aqui para darmos um basta e denunciarmos toda forma de jogo contra vida e tráfico de pessoas. Nós somos a favor da vida, nos consagramos ao Deus da vida. Ele mesmo disse: Eu sou o caminho, a verdade e a vidaQuem crê em mim, viverá. Esse crime é muito mais forte e sutil do que possamos imaginar. Somos poucos, somos pequenos neste mundo, mas que, como uma gota de água no oceano da vida, possamos gritar e defender esta causa”, disse.

Uma família vítima do tráfico humano

A caminhada também revelou a triste história do senhor João José, do estado de Goiás, região central do Brasil. Há 19 anos a filha mais nova dele traficada para exploração sexual. A promessa inicial era de um emprego digno na Espanha, onde a moça poderia ganhar entre 2 mil e 2,5 mil dólares mensalmente. Com o dinheiro, a moça iria comprar o enxoval de casamento e ajudar a família carente.

Chegando lá, a filha de seu João José descobriu que, junto a outras 30 brasileiras, teria que trabalhar vendendo o corpo em prostituição. A moça conseguiu entrar em contato com os pais no Brasil e pediu que eles denunciassem a situação às autoridades brasileiras. Mesmo com todo o esforço da família, a filha acabou sendo morta com as outras brasileiras que lá estavam.

“Desde então eu me empenho de corpo e alma para tirar esta impureza do mundo. Cuidemos dos nossos jovens para que, principalmente nesta época de Copa, não sejam seduzidos pelas oportunidades fáceis lá fora”, aconselhou, emocionado, João José.

Para a realização, a organização da caminhada contou com o apoio das Pontifícias Obras Missionárias (POM), Centro Cultural Missionário (CCM), Comunidade de Vida Cristã (CVX), Cáritas Brasileira, Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, pastorais e movimentos da arquidiocese de Brasília e da Ação Episcopal Alemã Adveniat.

A caminhada terminou em frente ao Congresso Nacional. Utilizando as flores e algumas bolas de futebol, os participantes desenharam no gramado uma grande cruz, fizeram preces e receberam uma bênção.

Fonte: Zenit

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