Como lidar com as distrações durante a oração

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Rezar não é uma questão de cumprimento de dever, de lei, mas trata-se de um relacionamento. O Catecismo da Igreja Católica (CIC n. 27) vem nos dizer que o homem está sempre à procura de Deus; e é na oração que encontramos com Ele. A oração, então, é a vida da nossa alma, tão importante quanto comer e beber é para o corpo. Santa Teresa de Ávila compara as almas sem oração a um corpo entrevado ou paralítico, que embora tenha pés e mãos, não os pode mover.

Diante a um bem tão necessário para a nossa vida interior, muitos são os combates! Hoje vivemos com pressa, com pensamentos acelerados, com mil compromissos e afazeres, e não conseguimos silenciar nossa mente para rezarmos. Aí surgem os inúmeros tipos de distrações…

Mas como devemos lidar com as distrações? Deixar de rezar, e esperar ‘o momento’ ideal? Com certeza a resposta é não!

A oração é um combate. E como todo combate precisamos de algumas estratégias, precisamos de armaduras. E é sobre isso que vamos conversar um pouco…

O CIC vem nos dizer que perseguir obsessivamente as distrações seria cair em suas armadilhas, já que é suficiente o voltar ao nosso coração. Uma distração sempre nos revela aquilo a que estamos amarrados, aquilo que temos colocado como prioridade na nossa vida.

Por isso, diante a uma distração devemos nos voltar humildemente ao Senhor, e apresentar-lhe os nossos pensamentos distantes, ou seja, fazer da nossa distração um material para oração. Pedindo que o Senhor venha ser o centro da nossa vida, do nosso pensar, e apresentar a Ele o objeto da distração.

O combate na oração sempre será: a escolha do Senhor a quem servir. Se dermos ‘trégua’ para nossa mente imaginativa e distraída, vamos nos distanciando do nosso foco que é Deus, e em vez de nos relacionarmos com Ele, estaremos conversando conosco mesmo ou até pior, com o próprio demônio.

Santa Teresa de Ávila nos ensina outra estratégia para lidar com as distrações: para ela “o livro era uma companhia, ou ainda um escudo em que aparava os golpes dos muitos pensamentos importunos. Com o livro, os pensamentos iam-se recolhendo como por afagos, o espírito entrava em si. Minha alma temia tanto pôr-se a orar sem livro, como se tivesse que lutar contra um exército de inimigos”. ¹

Por fim, precisamos entender que ser fiel à oração é uma graça que precisamos pedir a Deus. Às vezes pensamos que com as nossas próprias forças vamos vencer as nossas tentações e distrações. E não!!! A perseverança na nossa vida de oração é um dom de Deus, uma graça que humildemente devemos pedir. Só iremos conseguir ser perseverantes na oração com a graça de Deus.

Precisamos pedir ao Espírito Santo a graça de termos um coração apaixonado por Deus, pois uma alma apaixonada não mede esforços para estar com o Amado. Vejo também a necessidade de pedir sede de Deus, para que nunca se esgote a nossa busca diária por Ele. Decidir rezar, independente se há prazer/consolação ou não, é uma questão de amor, de necessidade da alma. E lutar contra as distrações na oração é uma prova que podemos dar a Deus o nosso desejo de amá-lo sobre todas as coisas!

Termino citando um trecho de Santa Teresa de Ávila, mestra na vida de oração: “Quem não encontrar mestre que o ensine a rezar, tome o glorioso São José por mestre, e não errará no caminho”. ¹

Que São José nos ajude a permanecermos fiéis na nossa vida de oração, e a lutarmos contra as tantas distrações que tentam nos roubar da presença de Deus!

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Deus abençoe sua vida!

Larissa Souza

¹ Santa Teresa de Ávila, Livro da Vida.

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