Dom Beni comenta aspectos dos discursos e homilias de JPII

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Bispo emérito de Lorena (SP) destaca algumas temáticas abordadas por João Paulo II em seus discursos e homilias

As primeiras palavras oficiais do Papa João Paulo II foram ditas no dia 22 de outubro de 1978, durante a Missa de inauguração do Pontificado, na Praça São Pedro, em Roma. O Pontífice surpreendeu a muitos com uma homilia pastoral, sem conteúdo político, nem planejamento de governo, como alguns podiam esperar.

“Não tenhais medo de acolher Cristo e de aceitar o Seu poder!”, foi o que disse o Santo Padre em sua primeira Missa. “Não, não tenhais medo! Antes, procurai abrir, melhor, escancarar as portas a Cristo!”, acrescentou.

Esta foi a primeira de inúmeras homilias e discursos dirigidos ao povo de Deus, direto do Vaticano ou nas mais de 150 viagens apostólicas que realizou. Só nos dois primeiros anos de pontificado – 1978 e 1979 – João Paulo II fez mais de 500 discursos e homilias.

O Papa polonês falou sobre temas importantes da atualidade, como a defesa da vida e da família, os desafios da juventude, o diálogo inter-religioso, assim como, o ecumenismo. Sem contar as centenas de discursos diplomáticos, nos quais, com firmeza, buscou o bem da humanidade junto às nações.

Às famílias e sobre a defesa da vida

A família teve destaque especial nas falas do Santo Padre. Segundo Bispo emérito da Diocese de Lorena (SP), Dom Benedito Beni dos Santos, o interesse que João Paulo II tinha pela família constituiu uma nota de seu pontificado e, anteriormente, de seu ministério de padre e bispo.

Outro aspecto foi a luta de Wojtyla contra o aborto e as demais ameaças à vida humana. “Seu pontificado se caracterizou também pela defesa constante da vida a partir de seu início. Mais ainda, a partir de suas fontes. Como afirmou, ‘uma criança concebida no seio da mãe nunca é um injusto agressor.É um ser indefeso que espera ser acolhido e ajudado’”, ressaltou o bispo.

Aos jovens

Os jovens foram, talvez, o principal público do Papa polonês. Antes de morrer, João Paulo II fez questão de falar-lhes pela última vez. “Fui sempre ao encontro de vocês. Hoje, vocês vieram ao meu encontro”, disse o Pontífice.

De fato, como recorda Dom Beni, João Paulo II priorizou, por onde andou, o encontro com os jovens. “Não só em Roma, mas em qualquer parte do mundo, o encontro com os jovens era sagrado”, lembrou o bispo emérito de Lorena.

“Sua vocação ao sacerdócio e seu ministério, inclusive como Sucessor de Pedro, traz a marca da presença da juventude. Qualquer pároco da diocese de Roma sabia que a visita do Papa à paróquia devia encerrar-se com o encontro com os jovens”.

Na primeira Jornada Mundial da Juventude fora de Roma, na Argentina, em 1987, João Paulo II lembrou aos jovens sua missão. “Cristo, a Igreja, o mundo esperam o testemunho de vossas vidas, fundadas na verdade que Cristo nos revelou”, disse-lhes durante a homilia de encerramento da JMJ.

“A finalidade do encontro com o Papa era sempre levar os jovens ao encontro com Cristo. A presença impressionante dos jovens no funeral e na beatificação de João Paulo II foi um ato de reconhecimento e gratidão a tudo o que o Papa fez por eles e continua fazendo através de sua herança: as Jornadas Mundiais da Juventude”, explicou Dom Benedito Beni.

Ecumenismo e diálogo inter-religioso

O ecumenismo e o diálogo entre as religiões foi uma das grandes bandeiras que João Paulo II levou em seu pontificado. Sobre este tema, Dom Benedito Beni afirma que João Paulo II transmitiu sempre a imagem de uma Igreja fiel à sua identidade católica. No entanto, “deixou bem claro que a prática do ecumenismo e do diálogo religioso é componente da missão da Igreja”.

“A afirmação clara da identidade da Igreja é um pressuposto essencial para o diálogo ecumênico e religioso. Essa identidade nunca pode ser disfarçada e escondida. Os braços abertos para cada ser humano não podem reduzir em nada a identidade da Igreja e sua doutrina”, explicou.

Entre homilias e discursos, o Papa Woltyla falou à humanidade, sempre apontando uma resposta para as perguntas do homem. Dom Beni  considera que o Evangelho sempre esteve no centro das palavras do Papa, “pedindo que o mundo inteiro abrisse as portas para acolher Jesus Cristo, o Redentor do homem”.

Fonte: Canção Nova

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