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Em um relacionamento, as diferenças nos constroem

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O namoro, como toda relação humana, é encontro. Encontro de duas almas, dois universos, duas histórias, duas maneiras diferentes de compreender a vida.
Quando tais diferenças começam a aparecer acontecem os primeiros “choques”, pois, descobrir um outro que não sou eu, que pensa diferente e que não age do jeito que eu acho que é certo, causa desconcerto e mexe com nosso egoísmo.
Posso testemunhar o quão difícil é viver esse tempo. Quando eu e Breno começamos nosso tempo de discernimento, aparentemente éramos muito iguais; iguais até no orgulho! E isso, por um tempo, foi barreira entre nós, pois queríamos moldar o outro ao que éramos. Nenhum dos dois queria ceder! E por muito tempo nos “chocamos” com a realidade do outro.
Mas, os caminhos de um casal se fazem pela descoberta das alegrias e das tristezas que os dois podem viver. Estes se fazem ainda pela capacidade de reconhecer no outro aquele que me faz feliz, mas NÃO apenas a ÚNICA pessoa do mundo que me faz feliz, mas que me completa em parte da vida. O diálogoé a chave da solução. A pessoa deve falar o que sente e o que pensa, tanto para criticar como para elogiar. O que o casal não pode fazer é acumular as “mágoas e palavras engolidas” no decorrer da relação e jogar tudo de uma vez na hora da crise. Só vai piorar.
A base para que todo namoro – e relação – seja sadio é o respeito pela história e identidade do outro. Respeito este que se traduz em uma sincera “acolhida” de tal identidade e pela disposição para adentrar nela. É ter a disposição para comungar e compartilhar de experiências vivenciadas pelo outro e expor um pouco do que já se viveu para que, juntos, construam uma nova história
Muitas vezes, o que também atrapalha um relacionamento não são tanto os defeitos que vemos no outro, mas o receio de perdermos nossa identidade em virtude de uma outra, com outros valores a qual, aos poucos, começa a invadir nosso mundo e a bagunçar nossas estruturas.
Breno dizia que amar doía e eu nunca entendia o porquê. Mas isso é a mais pura verdade, pois exige renúncia e morte de nosso eu, de nosso individualismo a cada dia.
Só quem sabe perder pode verdadeiramente ganhar (cf. Mc 8,35); por isso, para crescermos em nossos relacionamentos é necessário nos despojarmos do receio de nos perder e de ser contrariados, para nos lançarmos no amor que é doação. Quem quer o amor precisa dar tudo o que tem para possuí-lo (Mt 13,44). E doar-se não significa afastar-se do que se é para agradar alguém, isso se chama alienação. A doação se caracteriza quando abrimos mão – com respeito à nossa identidade, é claro – do “nosso jeito”, do que “nós achamos certo”, das “nossas razões”, para assim alargar nossa compreensão e nos permitir aprender com um outro jeito de perceber as realidades. A diferença do outro existe para nos acrescentar algo e não para nos destruir; elas nos fazem crescer e nos ajudam a ser melhores como mulheres e como companheiras!
O (a) namorado (a)/ noivo (a) / marido (esposa) é alguém que está ao nosso lado para nos ajudar a crescer e a compreender o que ainda não somos capazes de enxergar; enfim, para nos completar em nossas ausências. Contudo, a construção do relacionamento é um processo de lapidação que requer paciência e perseverança. Por mais que ambos pareçam “pedras imóveis e sem forma” existe – no solo sagrado desses corações – lindos e preciosos diamantes, que cada qual tem a missão de descobrir.
A lapidação é um processo que causa dor, pois nele são arrancados os excessos que não pertencem à essência do diamante. No namoro ninguém está pronto, ambos têm a missão de se construírem reciprocamente durante a lapidação, que dá luz ao genuíno amor. Namoro é uma contínua construção, pois esse relacionamento não se torna maduro da noite para o dia. Nele é preciso investir, construindo no hoje o diamante que se evidenciará amanhã…
“Que a dor ocasionada pela perda de nossos pedaços – será que nossos mesmos?… – não nos impeça de contemplar a beleza do diamante que está nascendo”.
Abraços fraternos em Cristo e em Maria!
Silvia Enes

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