Entrevista Flaviane Ribeiro – Especial Vocações

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  1. Para você, o que significa ser um vocacionado à uma comunidade?

Significa, pra mim, viver as primícias de uma chamado de Deus… a descoberta, aos poucos, do plano de Deus pra nossa vida, em especial na comunidade. Descobrir o que o Senhor deseja ao gerar uma comunidade: o que é, o que compõe uma comunidade? O que está em Seu Coração ao me colocar nesse plano? A descoberta da vivência fraterna, do amor aos irmãos, o sair de si e abrir se ao outro, o cuidado com o outro, o descobrir-se no outro, o desapegar de si mesmo e suas coisas, o partilhar não só alimento, mas as coisas materiais; partilhar corações, dividir dificuldades, aprendizados e, principalmente, a fé e o amor a Jesus Cristo e a Igreja. É descobrir o que é isso, como construir isso. Antes de entrar pra uma comunidade, primeiro, Deus nos chama a ser Dele e a medida que adentramos à comunidade, ao conhecimento e vivência do carisma, descobrimos no concreto, na realidade, aquilo que estava apenas em nosso coração, colocado por Deus. É um período de discernimento, de descoberta, de grande prova e, principalmente, de formação. É o iniciar de retirar o homem velho com as vestes mundanas e colocar as vestes novas do homem novo sonhado por Deus.

  1. Você imaginava que Deus um dia te chamaria a caminhar com Ele mais de perto? Conte um pouco da sua caminhada como cristão católico.

Não, nunca havia imaginado. Eu cresci em uma família católica, frequentava a missa aos domingos e só. Tinha minha fé, mas não sabia nada sobre Deus. Pensava que Ele era um Deus que ficava lá do alto olhando por nós. Após fazer meu primeiro encontro descobri que Deus é um Deus de perto e que me ama muito. Quando descobri e entendi o mistério da redenção de Cristo, o porque Ele morreu na cruz por mim, o porque Ele é reconhecido como Nosso Salvador é que houve uma mudança em minha relação com Deus. Passei a ver que precisava busca-Lo mais. No entanto, meu chamado deu início mesmo em um segundo retiro, quando descobri que Deus me chamava pra mais perto, não somente para saber da cruz mas para estar na cruz junto a Ele, para ser companhia e reparação a Ele, para viver aquilo que era Dele. Ali percebi que minha vida não seria como eu imaginava ou tinha planejado, eu havia encontrado com a Verdade que vem de Deus, e a Verdade sobre a minha vida. A partir desse encontro minha caminhada com Deus mudou bastante, comecei a busca-Lo mais seriamente. Queria saber como agradar a Deus, então, comecei a ler livros de santos. Eu pensava comigo: “eles acertaram então vou saber como se acerta também” e Deus cada vez mais apertava meu coração dizendo que me queria Dele. A princípio, pensei que meu chamado seria em um instituto religioso. Não era o que queria, mas se realmente fosse o que Deus queria pra minha vida, eu iria. Foi quando procurei a Danusa, minha fundadora… eu frequentava o grupo de oração da comunidade e, até então, ela era apenas uma conhecida. Queria ter um direcionamento, não sabia o que fazer, nem onde ir. Se fosse para um convento, não sabia em qual iria e como faria para entrar em um! Foram poucas partilhas, até que então fui chamada a fazer o vocacional da comunidade Mariana Resgate. Fui com o intuito e direcionamento de descobrir se a comunidade era o meu lugar. Caso não fosse, receberia orientação para poder encontrar meu lugar. Eu estava dando um passo e assim foi indo. No início eu tinha muitas dúvidas em relação à comunidade, se eu realmente tinha o carisma. Mas como tudo tem seu tempo, Deus vai conduzindo aqueles que se deixam ser conduzidos. Hoje não tenho dúvidas em relação ao meu lugar, meu carisma. Deus foi me dando a certeza, confirmações e hoje minha alma se encontra em paz. Toda aquela inquietação colocada por Deus no início, sobre qual era Sua vontade, qual era o meu lugar, o que Deus quer de mim, Deus foi e ainda continua me revelando. Mas hoje caminho em paz e na segurança de Seus cuidados, pois tudo Ele fez por mim, e assim ainda será.

  1. Por que Maria é um modelo a ser seguido na sua vocação?

Porque Maria agradou o Coração de Deus; porque em toda sua vida a vontade de Deus aconteceu. Apenas à Maria Deus confiou Seu Filho. O único ventre o qual Deus teve coragem de entregar Jesus foi o dela. Por quem Deus permitiu que Jesus fosse formado e educado? O que foi a alma de Maria para Deus? Ela em tudo O honrou. Maria quebrantou o coração de Deus com sua humildade, submissão e silencio. É impossível Maria não ser modelo de uma vocação. Ela foi fiel em tudo, independente da dificuldade que poderia aparecer (e foram muitas em sua vida), com a máxima dor com a crucificação de Jesus, Seu Filho. Seja qual for a vocação, Maria é modelo para aqueles que também querem agradar a Deus, ela é modelo de fé, modelo de todas as virtudes. Pra mim, em especial, devo olhar a Maria por ser de uma comunidade mariana. Sou chamada a viver a via de Maria, olhar para a Mãe e imitá-la. Ela é inspiração e ensinamento na caminhada com Deus. Desejo honrar a Deus, desejo chegar a Jesus Cristo e unir-me a Ele e a melhor forma, o melhor caminho, é ter Maria comigo.

  1. Que recado você deixa para seus irmãos vocacionados nesse mês de agosto, mês dedicado às vocações.

Irmãos vale a pena!

Vale a pena deixar com que a vontade de Deus aconteça na nossa vida! Vale a pena lutar para amar a Deus, vale a pena sofrer as renúncias, os pequenos e grandes sacrifícios, porque a nossa recompensa é o próprio Deus. Se deixarem Deus conduzir a vida de vocês, estarão vivendo as suas vocações. É como o “faça-se” de Maria. Não percam a esperança! Em tempos difíceis pensem no amor com que Cristo viveu e abraçou a cruz. Foi por nós e este sofrimento Dele não pode ser em vão, nós precisamos responder à nossa vocação e nos unirmos a Ele. Sejam firmes e fiéis a Cristo.

Abraços fraternos

Flaviane Ribeiro02082015-DSC_0717-2

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