Há 100 anos morria São Pio X. Seu pontificado apresenta afinidades com o atual

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A Igreja celebra hoje, 21 de agosto, a memória litúrgica de São Pio X. Ponto alto das celebrações será, neste sábado dia 23, a missa que o Cardeal Secretário de Estado, Pietro Parolin, presidirá no parque do “Santuário delle Cendrole”, em Riese, na província italiana de Treviso, onde, em 1835, nasceu Giuseppe Melchiorre Sarto – o seu nome de batismo.
Numa entrevista ao semanário da diocese de Treviso, publicada também no “L’Osservatore Romano”, o Cardeal Parolin faz notar algumas semelhanças, sobretudo no estilo do serviço, entre Pio X e o Papa Francisco. 

O purpurado observa que hoje em dia a figura de Pio X já não está “vinculada apenas à questão do modernismo”, como aconteceu até não há muito. A atenção dos historiadores vai-se concentrando sobretudo no impulso pastoral por ele dado à Igreja do início do séc. XX. Uma leitura partilhada pelo professor de história contemporânea da Universidade de Pádua e membro do Comité Pontifício de Ciências Históricas, Gianpaolo Romanato, entrevistado pela Rádio Vaticano.
Há muitas afinidades, inclusive de caráter biográfico, entre Pio X e o Papa Francisco: ambos são provenientes de famílias modestas, ambos têm um estilo pastoral muito semelhante e ambos colocaram a reforma da Igreja no centro de seu Pontificado.

– De facto, Pio X reformou a Cúria, e isso não ocorria desde 1588…
Sim, a Cúria nasceu após o Concílio de Trento, efetivamente, em 1588. Não obstante alguns ajustamentos ocorridos, permaneceu inalterada até o fim do poder temporal (dos Papas) e coube a Pio X, no início do séc. XX, repensá-la e reformá-la. Sucessivamente, a Cúria (Romana) foi ulteriormente reformada por Paulo VI e por João Paulo II, mas nas linhas basilares, no fundo, até hoje, é a que foi pensada por Pio X, com a reforma que fez em 1908.

– São Pio X tinha muito a peito a evangelização, a preparação das pessoas para o cristianismo. Foi ele que que realizou também um “Catecismo” que foi muito importante. Por que motivo?
A evangelização, a ‘catequese’ estavam no centro da linha de governo e pastoral de Pio X. Não nos esqueçamos que Pio X é o único Pontífice dos tempos modernos que por muitos anos foi pároco, durante uns vinte anos: primeiro foi capelão e depois pároco em pequenas paróquias rurais. Consequentemente, a pastoral e o contacto direto com a população e a transmissão da mensagem evangélica estavam no centro de sua atenção mesmo do ponto de vista biográfico. Tornando-se Papa, estendeu essa linha a nível universal com as reformas litúrgicas, com as reformas da participação dos fiéis no culto, com a publicação do Catecismo e com a promoção do culto eucarístico. Antes de São Pio X, a Eucaristia era uma prática distante, que se fazia raramente. Pio X, pelo contrário, promoveu a comunhão frequente e reduziu a idade mínima a fim de permitir o acesso das crianças à Comunhão, vendo no Sacramento da Eucaristia um instrumento contínuo de aproximação dos fiéis a Cristo.

– Foi portanto um Papa reformador?
Creio que no centro de seu pontificado – os estudos mais recentes parecem dar-me razão – encontram-se a reforma da Igreja, a pastoral, a renovação da Cúria Romana e da relação da Instituição eclesiástica com os fiéis, e da participação dos fiéis. A reforma da Igreja é, portanto, o ‘ponto focal’ do pontificado.

Fonte: Rádio Vaticana

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