castidade

Há motivos para viver a castidade?

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Quando ouvimos falar em pessoas que vivem a castidade, logo pensamos nos motivos que as levaram a abraçar esse caminho. Quando questionadas o que mais ouvimos é: “Porque é um mandamento de Deus”, “Porque Deus manda”, “Porque é o certo”, “Porque me faz bem”, “Porque a Igreja recomenda”, e por aí vai.

Sabemos que a vivência da castidade (que não se resume em abstinência sexual mas a integração correta da sexualidade na pessoa e, com isso, a unidade interior do homem em seu ser corporal e espiritual (CIC2337) gera inúmeros frutos na vida daqueles que a vivem: autodomínio, respeito nas relações, valorização de si e do outro, liberdade psíquica e emocional, autoconhecimento, etc. Mas a vivência da castidade simplesmente pela regra/lei e pelos benefícios os quais ela gera não frutifica, não consegue ser sustentada pelo indivíduo. Toda postura/decisão pautada em si mesmo e em benefício próprio se torna egoísta e foge do plano de Deus que é retomar a amizade com o homem. Pois assim, em comunhão perfeita com seu Criador, o homem pode ser pleno e feliz!

Santo Agostinho afirma que a castidade nos conduz à intimidade divina que perdemos com o pecado original, uma vez que nos faz retomar o autodomínio e a doação desinteressada. Dominar-se a si mesmo não significa perder a liberdade.  Ser livre não é fazer o que bem entender, não é estar sob a condução dos desejos e das vontades, como nos leva a crer ‘o mundo’. Liberdade não é fazer simplesmente o que se quer, quando se quer. Ser livre não é fazer tudo o que o meu desejo pede, mas sim submetê-lo à ação do Espírito Santo. Essa razão, submetida ao Espírito vai nos levar para o céu. A castidade também nos devolve a confiança uns nos outros. Não duvidamos das intenções do afeto oferecido, não ficamos apegados ao que o outro irá pensar, como interpretará nossa atitude, porque sabemos que partilhamos o mesmo ideal. A castidade nos torna amigos sinceros e verdadeiros. Ela nos ensina a buscar a doação de si e não o orgulho egoísta de querer sempre nosso prazer, custe o que custar. A verdadeira liberdade está em escolher a Deus, pois nos fará voltar ao estado inicial da criação, antes do pecado original, quando havia harmonia em plenitude entre o homem e o seu Criador (cf. CIC 377).

A castidade, porém, não pode ser conquistada pelas forças do homem. Santo Afonso de Ligório diz: “A castidade é uma virtude que não podemos praticar se Deus no-la não concede. Deus, porém, só a concede aos que a pedem”. Ela é, portanto, dom, graça, presente do Espírito Santo a todo aquele que pedir. Assim, não é possível tê-la apenas buscando um comportamento moralmente correto. Se a buscarmos dessa forma, podemos cair no moralismo, que por sua vez nos leva ao julgamento e acusação e não perseveramos na sua vivência. Uma alma casta não julga e não acusa. Uma alma verdadeiramente casta busca edificar o outro através da doação e do exemplo simples, como Maria.

Não devemos buscar a castidade para mérito próprio, mas por amor e gratidão a Deus, na certeza que ela é mais uma das poderosas armas que o Senhor nos concede para alcançarmos o céu.

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.Silvia Enes

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        Silvia Enes Marques

Consagrada da Comunidade Mariana Resgate

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