sagrado coração história

História da devoção ao Sagrado Coração

0 243

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus é uma das expressões mais difundidas da piedade eclesial, tal como refere o “Diretório sobre a Piedade Popular e a Liturgia” da Congregação para o Culto Divino em 2002. 
Como consequência das aparições de Nosso Senhor a Santa Margarida Maria Alacoque no mosteiro de Paray-le-Monial a partir de 1673, este culto teve um incremento notável e adquiriu a sua feição hoje conhecida. Nenhuma outra comunicação divina, fora as da Sagrada Escritura, receberam tantas aprovações e estímulos da parte do Magistério da Igreja como esta. 
Entre os documentos mestres nesta matéria encontramos a encíclica de Pio XII, Haurietis Aquas, de 15 de Maio de 1956. Pio XII salienta que é o próprio Jesus que toma a iniciativa de nos apresentar o Seu Coração como fonte de restauração e de paz: 
“Vinde a mim, todos vós, que estais cansados e oprimidos, que Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. (Mt. 11, 28-30) 
Como o têm lembrado frequentemente os Romanos Pontífices, a devoção ao Coração de Cristo tem um sólido fundamento na Escritura. Jesus apresenta-se a si mesmo como mestre “manso e humilde de Coração” (Mt. 11, 29). Pode dizer-se que a devoção ao Coração de Jesus é a tradução em termos cultuais do reparo que, segundo as palavras proféticas e evangélicas, todas as gerações cristãs voltaram para aquele que foi atravessado (Zc. 12, 10), isto é, o coração de Cristo atravessado pela lança, do qual brotou sangue e água, símbolo do “sacramento admirável de toda a Igreja”. 
O catecismo no parágrafo 500 nos diz assim: “O Sagrado Coração de Jesus, transpassado por nossos pecados e para a nossa salvação é considerado o principal sinal, o símbolo daquele amor com o qual o Divino Redentor ama ininterruptamente o Pai eterno e todos os homens.” 
Estes textos foram objeto de assídua meditação por parte dos Santos Padres que desvendaram as riquezas doutrinais e com frequência convidaram aos fiéis a penetrar no mistério de Cristo pela porta aberta de seu coração. Assim, santo Agostinho diz: “A entrada é acessível: Cristo é a porta. Também se abriu para ti quando o seu coração foi aberto pela lança. Lembra o que dali saiu; portanto olha por onde podes entrar. Do coração do Senhor pendurado que morria na Cruz saiu sangue e água quando foi aberto pela lança. Na água está a tua purificação, no sangue a tua redenção.” 
Não podemos deixar de mencionar, mesmo que brevemente a Santa Margarida Maria Alacoque cujo o Papa Pio XII, depois de fazer a lista dos Santos que a precederam na prática e difusão da devoção ao Coração de Jesus, diz a este propósito: “Mas entre todos os promotores desta excelsa devoção, merece um lugar especial Santa Margarida Maria Alacoque que, com a ajuda do seu diretor espiritual, o São Cláudio de la Colombière e com o seu zelo ardente, obteve, não sem a admiração dos fiéis, que este culto adquirisse um grande desenvolvimento e, revestido das características do amor e da reparação, se distinguisse das demais formas da piedade cristã.” 
Ela nasceu na aldeia de Lautecour, na Borgonha, no dia 22 de Julho de 1647, no seio duma família religiosa, honesta, de boa posição, reputação e de seriedade. 
Quando a religiosa nasceu, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus não era muito conhecida, se bem que já existia. A sua missão foi dar-lhe um impulso e uma difusão universal, precisar o seu espírito, adapta-lo às necessidades da Igreja Católica nos tempos modernos e fixar as práticas de piedade mais adequadas às novas circunstâncias. 
Nosso Senhor Jesus Cristo apareceu inúmeras vezes a Santa Margarida, de 1673 até 1675, a fim de lhe falar sobre a devoção ao Seu Sagrado Coração. A chamada “grande revelação” foi feita a Margarida Maria durante a oitava da festa do Corpus Domini de 1675. Mostrando o seu Coração divino, Jesus confiou à Santa: “Eis o Coração que tanto amou os homens, que nada poupou, até se esgotar e se consumir para lhes testemunhar seu amor. Como reconhecimento, não recebo da maior parte deles senão ingratidões, pelas suas irreverências, sacrilégios, e pela tibieza e desprezo que têm para comigo na Eucaristia. Entretanto, o que Me é mais sensível é que há corações consagrados que agem assim. Por isto te peço que a primeira sexta-feira após a oitava do Santíssimo Sacramento seja dedicada a uma festa particular para honrar Meu Coração, comungando neste dia, e O reparando pelos insultos que recebeu durante o tempo em que foi exposto sobre os altares”. 
E interessante sabermos que o culto especial dos cristãos para com o Sagrado Coração de Jesus é de todas as devoções a mais antiga. Antes que houvesse os Santos Sacramentos e outros objetos de devoção, já a bem-aventurada Virgem Maria venerava o dulcíssimo Coração de Jesus, são José o estreitava nos braços; os pastores e os Magos, Simeão e Ana, os apóstolos e discípulos, a ele e por ele atraídos, prestavam-lhe homenagens de amor.
Andrea  Esteves
Com. Mariana Resgate
 
 

Artigos Similares

Deixe seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Seu comentário será publicado após aprovação! *Campos obrigatórios. *