Namoro cristão é careta?

0 91

Nos escritos de Santa Teresinha tem a seguinte frase “Deus não me inspiraria desejos irrealizáveis, posso apesar da minha pequenez aspirar a santidade”.

Deus é aquele que sabe de todas as coisas, em sua Onisciência, sabe o que é melhor para o homem, aquele que Ele criou, e sabe como melhor esse homem chegará a uma vivência plena de sua identidade, dignidade, filiação divina, e até mesmo como o homem chegará ao seu fim último, a santidade e a eternidade. Deus sabe da matéria que criou, do “pó” que somos feitos e sabe de como ela foi corrompida, degradada com o pecado. E como Salvador, sabe também como regenerar o dano causado pelo pecado. Deus não traçaria um plano para nós se não tivéssemos de fato condições de vivê-lo. Portanto, é possível viver a castidade!

A castidade é algo que todo cristão necessita viver, não como obrigação, mas como cura de si mesmo e realização de sua identidade e dignidade de homem. É preciso ser casto, quando jovem, adulto, solteiro ou casado. Em todas as fases da vida temos esse caminho seguro para trilhar, caminho esse fundamental também para uma amizade com Deus.

O significado da palavra castidade é pureza, e ela está relacionada com a maneira como eu me relaciono com as coisas, animais, natureza e pessoas. É a maneira pura e equilibrada com que eu me relaciono. Especificamente em um relacionamento com uma pessoa, é na castidade, ou seja, na pureza do corpo e da alma, que se ama de forma sincera e também se é amado na mesma sinceridade.

É na vivência da castidade em um namoro que o homem vai aprendendo a ter domínio de si, vai defendendo o namoro dos egoísmos e com isso amadurecendo e fortalecendo o relacionamento; em que o outro vai deixando de ser um simples objeto de prazer, mas alguém com quem construo uma história, alguém que tem sentimentos, vontades, experiências, no qual eu não me satisfaço mas conheço mais a fundo e, portanto, cresço junto. Quem não cultiva a castidade em um namoro, torna-se uma pessoa frágil, escrava e submissa aos seus prazeres e consequentemente vive um namoro frágil e escravo.

Nos dias de hoje, aos olhos do mundo, viver a castidade chega a ser um absurdo ou um retrocesso, ou uma maneira de se reprimir e de não ser o que é, quando na verdade, nada mais é do que a valorização do homem, pois o homem é mais que um animal, que segue seu instinto. A castidade dá ao homem a capacidade de amar, a capacidade de decisão, é a liberdade do homem que tem domínio de si, e que enxerga a vida além de seus próprios prazeres carnais, enxerga a vida como algo precioso, ao qual precisa-se ter zelo ao construí-la.

Para se viver um namoro casto, é necessário autoconhecimento, conhecimento do outro, diálogo, ser prudente, saber colocar limites nos carinhos. Carinho é necessário no namoro, carícias que podem incitar algo, já não convém. Castidade é estar aberto a conhecer o outro, conhecer além do seu corpo, conhecer sua alma, sua história. Viver a castidade num namoro é fazer crescer o amor, o amor maduro, verdadeiro, que se firma em fidelidade, superação, aprendizado.

Em Romanos 8, 28 está escrito “Deus coopera em tudo para o bem daqueles que o amam”. Deus em sua infinita Misericórdia há de nos agraciar, nos sustentar nas lutas, nos levantar nas quedas, fortalecer nos desafios. Sua Graça amorosa não nos faltará em nossos esforços, lutas e decisões.

“Quem não poupou o seu próprio Filho e o entregou por nós, como não nos haverá de agraciar em tudo junto com Ele?” (Rm 8, 32).

Que possamos trilhar essa via em nossos namoros. É uma via segura para quem deseja construir um relacionamento verdadeiro. Que possamos ser decididos, determinados e confiantes no cuidado de Deus.

 

 

Flaviane Ribeiro

Consagrada da Comunidade Mariana Resgate

Tagged with: , , ,

Artigos Similares

Deixe seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Seu comentário será publicado após aprovação! *Campos obrigatórios. *