O mistério de Deus vivido na gestação!

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Vede, os filhos são um dom de Deus: é uma recompensa o fruto das entranhas. (Sl 126, 3)

Essa é a verdade sobre a gestação: filhos são dom de Deus; os recebemos como graça e sinal de benção. Presente e missão de Deus para aqueles que são chamados ao matrimônio.

Desde que nos casamos, eu e meu marido desejávamos filhos, gerar filhos para Deus, assumimos o matrimônio conscientes da promessa que fizemos no altar: receber amorosamente os filhos como dom de Deus e educá-los segundo a lei de Cristo e da sua Igreja. Assim, em 2016 engravidei do nosso primeiro filho. Quanta alegria! Sabíamos que o desejo pelos filhos não bastava. Um coração aberto e disponível para acolher o tempo e a Vontade de Deus sim era essencial. Celebramos muito, por entender que Deus nos confiava uma alma para que a educássemos para o céu! Que missão! No entanto após 3 meses descobrimos que o coração daquele bebê não batia mais, havia tido um aborto. Uma dor indescritível: entregar para Deus aquele que Ele mesmo me deu! Enquanto passava pela dor da perda e pelo procedimento hospitalar de esvaziamento uterino, o Senhor foi re-significando minha dor ajudando-me a mergulhar no mistério de gerar uma vida. Enquanto passava a noite na sala de parto sofrendo o aborto – ao invés de receber um filho, entregá-lo – entendi que não geraria filhos meus para minha família, para minha satisfação, mas que através da vida de cada um deles eu tocaria o céu aqui na terra pois eles eram o meio que o próprio Cristo havia me chamado à santidade. “[…] ela poderá salvar-se, cumprindo os deveres de mãe, contanto que permaneça com modéstia na fé, na caridade e na santidade” (1 Ti 2:15). Vivi naquela noite a graça de confiar e em meio ao calvário não deixar morrer a esperança de gerar vida. Como Maria ofertar um filho para Deus. E foi com Maria que vivi esse calvário, certa da ressureição.

Após o período de luto, essencial diante de um ser que se ama e após liberação médica reiniciamos a tentativa de engravidar de novo. Mas descobri uma doença na qual os medicamentos me impossibilitariam de engravidar. Assim, víamos adiado mais uma vez o sonho de ter filhos. Novamente as permissões de Deus nos levavam ao mistério de que o tempo de Deus é perfeito e que Ele age no escondido. Era necessário esperar, confiar e não deixar de acreditar. Como fez com Maria, primeiro Deus desejava nos fazer gerar em oração, em confiança e paciência, certos de que o que Deus escolhe para nossa vida é melhor e supera nossos sonhos. Vimos nosso casamento ser refeito, nossa amizade, nossa vocação, nossa busca de santidade ser resgatada. Adentrávamos então no mistério do ‘faça-se em mim segundo a Sua Vontade’ (Lc 1,38). Eu quero, mas o que Deus quer para mim é o que de fato importa. Só assim, poderíamos gerar santos para aquele que É o Santo. Deus nos deu vida para estar com Ele, sermos seus amigos, dialogar com Ele, sermos um só. Assim, como pais, nossa missão é gerar amigos para Deus, filhos para o céu, santos para O Santo.

Deus investe em nossas famílias, em santificá-las, em prepará-las para o céu, em fazer o céu em cada família. Dessa maneira, em meio aos desafios dos tempos modernos poderemos não só gerar filhos, satisfazer sonhos, educá-los, mas fazê-los ser o que Deus sonhou para eles – filhos segundo Seu coração.

Hoje quase 2 anos após a perda do nosso primeiro filho, estamos na expectativa da chegada da nossa filha no próximo mês. Mais preparados? Não! Mais santos? Talvez não! Mas mais conscientes de nossa missão como pais, como cristãos, como seguidores de Cristo. Olhando para a família de Santa Teresinha, que se fez santa sob a santidade de seus pais Santa Zélia e São Luís só posso afirmar: com a graça de Deus É POSSÍVEL! Tenhamos coragem de nos lançar nesse mistério de ser famílias santas, de gerar santos! Há um investimento do céu em nossas famílias!

“Quando tivemos nossas crianças, as nossas ideias mudaram um pouco. Nós vivíamos só para eles. Eles eram toda a nossa felicidade, e nós nunca a encontrávamos em qualquer coisa exceto neles. Em suma, nada era muito difícil, e o mundo não era mais um fardo para nós. Para mim, os nossos filhos foram uma grande alegria, então eu queria ter um monte deles, a fim de criá-los para o céu”. (Santa Zélia Martin – Carta 192).

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Silvia Enes

Consagrada da Comunidade Mariana Resgate

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