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Padre Lombardi: Papa Francisco trouxe esperança para todos

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O último dia do Papa Francisco na Terra Santa foi rico de mensagens e gestos fortes. Um dia marcado pelo encontro com o mundo muçulmano, pelos vários eventos relacionados com a comunidade hebraica e o Estado de Israel e, finalmente, pelos momentos com a comunidade cristã no Getsémani e no Cenáculo, na dimensão de oração, típica desta peregrinação. O diretor da Sala de Imprensa do Vaticano, padre Federico Lombardi, comentou telefonicamente esta viagem histórica do Papa Francisco à Terra Santa nos microfones da RV [Gabriella Ceraso]. 

Certamente, na parte da manhã o encontro com o Islão, o encontro com o hebraísmo e o Estado de Israel foram particularmente significativos e foram também o foco de atenção dos media internacionais. Eu acho que o pequeno ato original desta viagem, o momento do abraço diante do Muro das Lamentações do Papa com o rabino e a personalidade muçulmana, o abraço de três amigos, três religiões diferentes diante do “Muro das Lamentações” foi realmente um pequeno mas grande sinal, porque para além de todos os discursos sobre o diálogo inter-religioso, as dificuldades de se entender um ao outro e assim por diante, e depois a cultura do encontro de que fala o Papa, o encontro entre pessoas concretas que se tornam capazes de se entender um ao outro e, portanto, também de trabalhar juntos para construir a paz, que é – acho eu – a via fundamental mais determinante. Um outro grande encontro pessoal, que parece ter caracterizado esta manhã, é o que aconteceu entre o Papa e o presidente Peres: eu tive a impressão de que eles são dois grandes sábios construtores de paz. O Papa, naturalmente, com a sua autoridade de líder religioso que convida a rezar pela paz, e também uma pessoa verdadeiramente sábia que passou uma vida longa através de muitas situações, mas que se vê que aspira realmente a um mundo melhor, que quer colocar a sua experiência de vida ao serviço da busca do bem comum dos povos, superando as tensões e fazendo a paz. A maneira como o Papa falou também do acolhimento de Peres, e em cuja “casa”, ele se sentia feliz, parece-me que foi um grande elogio e uma ótima premissa também para este próximo encontro de oração pela paz, que foi substancialmente confirmado pelas pessoas convidadas e que, portanto, esperamos que possa ter lugar bastante brevemente, no Vaticano.

Nalguns momentos o Papa parecia emocionado, mas também muito provado: quando ele disse o seu “não” à violência em nome de Deus, mas também o “nunca mais a monstruosidade do Holocausto”, como se tivesse sobre si a vergonha do homem, de quanto o homem é capaz de fazer nos momentos de escuridão total …

É verdadeO Papa usou uma expressão que me parece que é muito própria, característicaquando fala da vergonha. É uma palavra bíblicaem que também os antigos profetas, quando falavam da experiência do pecado e do peso do pecado sobre a humanidade e o povo de Israel, diziam: “Avergonha para nós que não fomos capazes de construir a paz”. Pois esta palavra vergonha, de facto, no discurso do papa no Yad Vashem pareceu-me precisamente que revelava este seu sentimento profético muito forte que lhe dápor vezes, um tom particularmente perspicaz que nos toca nos sacode.

Finalmente, no Getsémani, e em seguida no Cenáculo, os dois últimos eventos deste dia intenso e, mais uma vez, é a luz da esperança que o Papa pede aos cristãos de testemunhar. E depois, também reiterou a ideia de uma igreja que sai fora, uma Igreja em serviço, que é um outro tema que lhe é muito querido …

Claro, porque no Cenáculo foi celebrada a Missa de Pentecostes e, portanto, exatamente o evento da Igreja que, recebendo o Espírito, se torna missionária. Eu diria que pudemos experimentar a alegria desta celebração mesmo no lugar originário da missão da Igreja pelo poder do Espírito ….

Contudo, o tema da esperança pareceu quase prevalecer, mesmo nestes últimos momentos do dia …

Certamente, a presença do Espírito que dá vidaacompanha, e torna presente Jesus Cristo ressuscitado, é um Espírito que alimenta evidentemente uma esperança mais forte que qualquer forma de desânimo pelas dificuldades que estão à nossa volta. Portanto, mesmo nesta terra, mesmo com os problemas que as comunidades eclesiais podem terque as comunidades dos povos podem ter. E com o anúncio do Espírito que desce para nos tornar missionários e renovar, para renovar a Criação, é um anúncio de esperança para todos!

Fonte: Rádio Vaticana

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