Perdão, uma decisão necessária

0 46

 ‘Senhor, quantas vezes devo perdoar ao irmão que pecar contra mim? Até sete vezes?’ Jesus respondeu-lhe: “Não te digo até sete, mas até setenta e sete vezes. (Mt 18, 21-22)

 

Amados irmãos, a paz. Hoje vamos falar um pouco sobre o perdão, fundamentados em Cristo. O perdão é algo inerente à responsabilidade humana com o amparo da graça divina. E o porquê disso? Primeiro porque a primeira iniciativa do ato de perdão na humanidade partiu de Deus. Deus decidiu reconciliar-Se com o homem, pois Ele nos criou com capacidade de se relacionar e viver para Ele. Segundo, porque somente Deus e o homem têm essa necessidade, diferenciando-nos dos animais e dos anjos, sendo uma das características que nos torna semelhantes ao Criador.

Ao voltarmos nos relatos bíblicos, o homem de Gênesis, antes do pecado, vivia harmoniosamente sua relação com Deus, com ele mesmo, com o próximo e com a natureza. Porém, esse relacionamento estável e perfeito foi “ferido”. O homem fere a Deus por meio do pecado.

Adentrando um pouco mais, o pecado foi uma ação do homem, o homem foi seduzido a pecar. E porque é o homem que peca? Porque somente ele com toda a sua capacidade de corresponder ao amor de Deus era imagem e semelhante de DEUS. Lúcifer, o tentador, não era homem; ele era sim o anjo mais bonito, mais inteligente, mais cheio de luz, mas não era IMAGEM E SEMELHANÇA do Criador, e com toda sua inteligência parte dele o querer de negar a Deus. E a inveja o leva a induzir o homem a ferir o coração de Deus, pois ele sabia que somente a humanidade seria capaz de ferí-Lo e magoá-Lo, já que somente ela também era capaz de amar.

E assim como já sabemos, Lúcifer interveio e levou o homem a também negar a Deus. Imediatamente o homem se vê sentindo medo e vergonha de DEUS; ele se fere e magoa Deus, e logo o homem sente a dor dessa ferida pelo rompimento que todo pecado causou. E a cura para essa ferida foi o perdão com toda sua onipotência e mistério de amor.

Precisamos perceber devotamente e com muito zelo que não foi qualquer perdão, mas foi o perdão de Deus com a humanidade. Foi o retorno da amizade de Deus com o homem, foi a volta do diálogo, da presença, dos gestos de carinhos, enfim foi o AMOR nos resgatando com sua capacidade infinita.

Pois como diz um ditado popular famoso: “Deus não ama o pecado, mas ama o pecador”. Talvez esteja equivocada, mas sinto que Deus tem necessidade do homem.
Assim, o plano de Deus foi se encarnar em Jesus Cristo e revelar o seu rosto de Misericórdia. O perdão chega até nós em Cristo. E Cristo não fere o Pai, mas tornou-se a ferida de toda humanidade como vemos em Isaías 53, 5: “sim, por suas feridas fomos curados”. Embora ele não tivesse nenhuma transgressão, fortemente tornou-se a vítima em reparação dos nossos pecados… Ficou desfigurado o HOMEMDEUS e toda espécie de dor daquelas feridas Ele suportou.

Inclusive em um dos seus últimos momentos de “vida” falou ao Pai: “Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem”. A cura foi o Cristo, porém para nos curar e devolver o relacionamento com o Pai Ele foi o mais ferido. Jesus foi o perdão encarnado que reconciliou o coração de Deus com o coração do homem. Bendito seja o homem que entendeu isso: Pedro, Maria Madalena, Mateus, Zaqueu, Paulo, Santo Agostinho, São Francisco de Assis, enfim, eu e você.

E agora então me pergunto: Devo perdoar? Eu preciso ser perdoado(a)? Tenho essa necessidade? Obviamente, sim. Até setenta e sete vezes (Mt 18).

Irmãos, Deus nos perdoa sempre e nós precisamos aprender com Ele a decidir-nos pelo perdão. Assim Jesus nos ensina em suas atitudes que o perdão é uma escolha, uma decisão, um ato de fé que atinge vários aspectos fundamentais da nossa vida, como o psicológico, físico e emocional. O perdão liberado por Jesus nos reintegra, nos aproxima, nos cura, e isso Ele faz todos os dias conosco.

Ao responder a Pedro que precisamos perdoar até setenta e sete vezes Ele nos ensina que o perdão não tem limites. O Catecismos da Igreja Católica (CIC 1442) nos diz:  Portanto entendermos que é vontade de Cristo que toda a sua Igreja seja, na oração, em sua vida e em sua ação, o sinal e instrumento do perdão e da reconciliação que “Ele nos conquistou ao preço do Seu sangue”.

A Igreja em suma sabedoria aplica dois sacramentos que são suportes para vivermos a plenitude do perdão. O sacramento do Batismo e da Penitência. Do Batismo, pois desde o nascimento já trazemos o pecado original que nos afasta da graça de Deus, assim trazemos em nosso coração a necessidade de receber seu perdão. E como temos uma Igreja mãe ela não quer nenhum filho afastado do seu Criador, mas bem unido. E o sacramento da Penitência que nos reconcilia com Deus e nos devolve a graça da purificação; o sacramento em que Deus está sempre disposto a nos perdoar.

Temos necessidade do perdão de Deus e dos homens. O próprio Cristo com seu testemunho manifesta o perdão como uma escolha de amor. Esses sacramentos são alicerces que mantêm nossa amizade com Deus.

Amados irmãos, que impulsionados pelo testemunho de Jesus Cristo possamos entender que perdoar é necessário e que parte de uma decisão madura e consciente. Que todas as vezes que eu libero ou peço o perdão a Deus e ao próximo, o bem maior acontece em minha vida. É como se a alma respirasse e como se o corpo levitasse, e a isso damos o nome de liberdade interior.

Sejamos livres, perdoemo-nos e amemo-nos a fim de sermos justos para com o próximo e dignos de Deus, pois nosso Criador nos preparou para sermos seus amigos e ter um só coração com o próximo. Observemos a oração do Pai-Nosso (…perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido…) e pratiquemos também o que Jesus nos diz: “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’. Mas eu digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem. (Mt 5,43-44).

Rogo a Deus por cada um de nós que estamos lendo esse ensino, que impulsionados pelo Espírito Santo avaliemos nosso interior e recorramos ao perdão de Deus e do próximo, para que reconciliados possamos usufruir a paz e a tranquilidade da consciência, que vem acompanhada de uma intensa consolação espiritual. Com efeito, o sacramento da Reconciliação  é, pois, a reconciliação com Deus, acompanhada duma grande consolação espiritual. Com efeito, o sacramento da reconciliação com Deus traz consigo uma verdadeira “ressurreição espiritual”, uma restituição da dignidade e dos bens da vida dos filhos de Deus, entre os quais o mais precioso é a amizade com DEUS (CIC 1468).

Deus abençoe!

.

.

Aline Santos

Consagrada de Vida da Comunidade Mariana Resgate

Artigos Similares

Deixe seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Seu comentário será publicado após aprovação! *Campos obrigatórios. *