fé e razão

Podemos descobrir a existência de Deus com a nossa razão? [YC 04]

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Na cultura contemporânea, tende-se frequentemente a aceitar como verdade apenas a da tecnologia: é verdadeiro aquilo que o homem consegue construir e medir com a sua ciência; é verdadeiro porque funciona, e assim torna a vida mais cômoda e prazerosa. E hoje o mundo nos diz que só devemos crer naquilo em que podemos ver com nossos próprios olhos. Dessa maneira, devemos tomar cuidado para não deixarmos nossa razão se sobrepor à nossa fé.

Descobrir Deus é um grande desafio para o espírito humano. Diante disso, muitos recuam de medo, outros não querem descobrir Deus precisamente porque, então, teriam de mudar a sua vida.

O Youcat diz: “O mundo não pode ter origem nem fim em si mesmo. Em tudo o que existe está mais do que aquilo que se vê. A ordem, a beleza e o desenvolvimento do mundo apontam para fora de si mesmos e remetem para Deus. Cada pessoa humana está aberta ao Verdadeiro, ao Bom, ao Belo. Ela escuta, dentro de si, a voz da consciência, que a impele para o bem e a adverte do mal. Quem segue esta pista encontra Deus”.
A fé católica é racional e nutre confiança também na razão humana. O Concílio Vaticano I, na Constituição dogmática Dei Filius, afirmou que a razão é capaz de conhecer com certeza a existência de Deus através da via da criação, enquanto somente à fé pertence a possibilidade de conhecer “facilmente, com absoluta certeza e sem erro” (DS 3005) as verdades sobre Deus, à luz da graça. O conhecimento da fé, também, não é contra a razão direta. O Beato Papa João Paulo II, de fato, na Encíclica Fides et ratio, sintetiza assim: “A razão do homem não se anula nem se degrada dando assentimento aos conteúdos de fé; estes são em cada caso alcançados com escolhas livres e conscientes” (n. 43). No irresistível desejo de verdade, só um harmonioso relacionamento entre fé e razão é a estrada certa que conduz a Deus e à plena realização de si.
O Concílio Vaticano I também nos diz: “A mesma santa mãe Igreja sustenta e ensina que Deus, princípio e fim de todas as coisas, pode ser conhecido com certeza pela luz natural da razão humana, a partir das coisas criadas; “pois o invisível dele é divisado, sendo compreendido desde a criação do mundo, por meio dele tudo foi feito”. Aprouve à Sua misericórdia e bondade revelar-Se à humanidade e os eternos decretos da Sua vontade, por outra via, e esta sobrenatural, conforme podemos ler: ‘Havendo Deus outrora em muitas ocasiões e de muitos modos falado aos pais pelos profetas, ultimamente, nestes dias, falou-nos pelo Filho.” (DH 3004).
Santo Alberto Magno vai nos dizer que: “A mais nobre força do ser humano é a razão. A mais alta meta da razão é o conhecimento de Deus.” Assim, a razão humana pode, seguramente, descobrir a existência de Deus.

Abraços fraternos
Vítor Queiroz

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