Recebendo Ban Ki Moon e outros responsáveis ONU, Papa Francisco pede que se contraste firmemente a economia da exclusão e a cultura do descarte e da morte

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Intensa atividade do Santo Padre nesta manhã, com variadas audiências. Antes de mais, a dez prelados da Conferência Episcopal da Etiópia e Eritreia, e depois, colectivamente, a toda a Conferência Episcopal. A meio da manhã, ao Conselho dos Chefes Executivos para a Coordenação das Nações Unidas, com o Secretário Geral, Ban Ki Moon. Segue-se outro encontro com os participantes no encontro anual das Obras Missionárias Pontifícias. Finalmente, o Papa recebe D. José Luis Escobar, arcebispo de San Salvador, com outros elementos da presidência da Conferência Episcopal de El Salvador. 
Especial relevo assumiu o encontro com os Chefes Executivos das Nações Unidas, liderados pelo Secretário Geral Ban Ki Moon. 

Falando em espanhol, o Papa Francisco sublinhou a necessidade de promover uma organização política e econômica mundial que contraste as causas estruturais da pobreza, preserve o meio ambiente, assegure um trabalho decente para todos e proteja adequadamente a família. O Santo Padre começou por referir a recente canonização de João XXIII e de João Paulo II, mencionando “a paixão pelo desenvolvimento integral da pessoa humana e pela compreensão entre os povos”, que ambos revelaram e que especialmente o Papa Wojtyla exprimiu nas suas visitas às Organizações de Roma e às sedes de Nova York, Genebra, Viena, Nairobi e Viena.

O Santo Padre agradeceu aos responsáveis da ONU “os grandes esforços realizados a favor da paz mundial, do respeito pela dignidade humana, pela proteção da pessoa, especialmente dos mais pobre ou débeis e do desenvolvimento econômico e social harmonioso”, patentes nos resultados obtidos pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, sobretudo no campo da educação e da diminuição da pobreza extrema, mas insistiu na necessidade de nunca se conformar com os resultados obtidos.


No caso da organização política e econômica mundial, o que falta ainda é muito, visto que uma parte importante da humanidade continua a ser excluída dos benefícios do progresso e, na prática, relegada a seres humanos de segunda categoria.


O Papa Francisco considera que novos “Objetivos de desenvolvimento sustentável devem ser formulados com generosidade e coragem”, de tal modo que garantir “resultados substanciais a favor da preservação do ambiente, garantindo um trabalho decente para todos e uma proteção adequada à família, elemento essencial de todo e qualquer desenvolvimento econômico e social sustentável”. 

Trata-se especialmente de desafiar todas as formas de injustiça, opondo-se à economia da exclusão, à cultura do descarte e à cultura da morte, que infelizmente se poderiam tornar uma mentalidade aceite passivamente. 


A estes “representantes das mais altas instâncias da cooperação mundial”, o Papa Francisco recordou o episódio de Zaqueu, contado no Evangelho de São Lucas, com a “radical decisão de partilha e justiça” que este assume, depois de o olhar de Jesus lhe ter despertado a consciência.

“É este espírito que deveria estar na origem e no final de qualquer ação política e econômica – insistiu o Santo Padre. É o olhar, muitas vezes sem voz, daquela parte de humanidade rejeitada, deixada para trás, que deve tocar a consciência dos agentes políticos e económicos, levando a opções generosas e corajosas, que tenham resultados imediatos, como a decisão de Zaqueu.” É este espírito de solidariedade e partilha que guia todos os nossos pensamentos e todas as nossas ações?” – questionou o Papa. 


O episódio de Jesus Cristo e Zaqueu ensina-nos que a promoção de uma abertura generosa, eficaz e concreta às necessidades dos outros deve ser sempre acima dos sistemas e das teorias econômicas e sociais.

Fonte: Rádio Vaticana

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