São Tomás Becket

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Tomás parecia predestinado desde jovem a uma brilhante carreira civil e eclesiástica.
Nascido em Londres, de pais normandos, recebeu a primeira instrução na abadia de Merton. A seguir, mandado a Paris e à Bolonha por Teobaldo, arcebispo de Cantuária, foi por este nomeado, na sua volta, arcediago de Cantuária.

Também o rei Henrique II se lembrou dos dotes especiais do diácono Tomás e o designou chanceler do reino. Uma escolha acertada. Tomás possuía ambição e audácia e, quando era o caso, não hesitava em colocar-se ao lado do amigo soberano nas frequentes batalhas e sobretudo nos movimentados jogos de sociedade.

Homem do mundo, mais que homem da Igreja. Mas quando o rei o propôs ao papa como sucessor do arcebispo Teobaldo, convencido de ter nele um bom aliado, ocorreu em Tomás uma radical mudança.

O arcediago “labioso” transformou-se em um zeloso pastor de almas. Havia advertido o rei: “Senhor, se Deus permitir que eu me torne arcebispo da Cantuária, perderei a amizade de vossa majestade”. E assim sucedeu.

Ordenado sacerdote em 3 de junho de 1162 e consagrado bispo no dia seguinte, Tomás não tardou em pôr-se em choque com o soberano, quando recusou reconhecer as constituições de Clarendon de 1164, que retomavam certos privilégios ilícitos do rei sobre a Igreja. Para subtrair-se à vingança do rei, Tomás embarcou para a França e durante seis anos levou vida ascética em um mosteiro cisterciense.

O papa Alexandre III, com o qual Tomás se encontrou, aconselhou-o à moderação. Feita a paz com o soberano, o arcebispo pôde voltar a sua sede episcopal, acolhido em triunfo pelos fiéis. Mas Tomás não se iludia com a boa vontade do rei e o disse de forma clara a sua gente: “Voltei para morrer no meio de vós”.

Foi realmente morto em sua catedral por sicários do rei. O arcebispo havia sido advertido do perigo iminente, mas ficou em seu posto: “O medo da morte não nos deve fazer perder de vista a justiça”. Tinha de fato deposto os bispos que haviam aceitado e subscrito as constituições de Clarendon. Acolheu os sicários do rei vestido dos paramentos sagrados e se deixou apunhalar, murmurando: “Aceito a morte em nome de Jesus e pela Igreja”.

Toda a Inglaterra o proclamou mártir, e três anos depois Alexandre III confirmou o título canonizando-o.

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