Tráfico de crianças na IURD: “Quem está dentro da instituição não fala”

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As jornalistas que investigaram as denúncias de adoções ilegais: declarações impactantes a um dos jornais mais influentes do mundo

O jornal espanhol El País é considerado um dos mais influentes do mundo, concorde-se ou discorde-se da sua linha editorial. Esse veículo de mídia entrevistou as jornalistas portuguesas Alexandra Borges e Judite França, que participaram das investigações sobre uma rede internacional de adoções ilegais de crianças, vinculada à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). O trabalho jornalístico foi ao ar na bombástica série de reportagens “O Segredo dos Deuses“, do canal português TVI. Para saber mais sobre o caso, acesse esta matéria.

Reproduzimos a seguir algumas das declarações de Alexandra Borges e Judite França a El País. A entrevista na íntegra pode ser lida no site do próprio jornal.

Como chegaram à denúncia

“Estávamos investigando outro assunto ligado aos negócios da IURD. Era uma reportagem empresarial sobre suposto enriquecimento ilícito e tropeçamos na história dos netos. Ouvimos que Edir Macedo havia escolhido os filhos adotados por sua filha Viviane (…) [Mas] a legislação portuguesa não permite que se escolha a criança a ser adotada”.

A investigação

“Começamos tentando contatar pessoas que saíram da IURD, porque quem está dentro da instituição não fala”

“As adoções estavam protegidas por acordos de confidencialidade entre os participantes, para que nenhuma informação sobre o processo viesse a ser conhecida”.

“Contatamos pessoas que trabalharam no lar onde as crianças foram adotadas. São pessoas que perceberam que haviam feito coisas erradas e por isso guardaram documentos da época”.

“Foram sete meses batendo às portas, juntando informações. Teve mães que morreram lutando pelos filhos. Apuramos que cerca de dez crianças foram adotadas nesse esquema”.

“Entrevistamos a babá portuguesa que viveu nos Estados Unidos quase três anos na casa do Edir Macedo e que nos contou sobre como era a vida das crianças”.

As adoções fraudulentas

“A filha do bispo [Viviane] escolheu as crianças por fotografia, com base em características que a interessavam, o que em Portugal é proibido. Viviane não esconde essa informação. Em seu blog, ela falava que adotou as crianças porque eram parecidas com Júlio Freitas, seu marido”.

“Como a IURD era dona do lar [orfanato], eles não passaram por esse processo e fizeram uma desvinculação forçada dos pais biológicos. Descobrimos um conjunto de mentiras que foi passado para o tribunal, como as crianças serem tipificadas como soropositivos”.

“O tribunal pensava que estava atribuindo as crianças para guarda de uma portuguesa e não para a filha do bispo. Essa mulher é alguém de confiança do bispo Macedo, uma testa de ferro”.

“Temos provas de que foi um processo ilegal. Mas o caso não é sobre a IURD. Se fosse a Igreja Católica, daríamos a mesma cobertura. Quem levou as crianças é que tem que responder”.

“Há uma responsabilidade do Estado português a ser investigada, porque aqui não se pode entregar uma criança do jeito que foi feito”.

“A investigação vai além de Viviane e Edir Macedo. Agora que saiu a reportagem, estamos recebendo e-mails de pessoas que tinham filhos no lar e eles desapareceram. Com as novas denúncias, continuaremos investigando”.

Política de adoção na IURD

“Júlio Freitas e Renato Cardoso, maridos das filhas de Edir Macedo, fizeram vasectomia por orientação da IURD. Mas as filhas do bispo queriam filhos. A saída encontrada por Macedo foi a história de que todos da igreja poderiam adotar. Eles vendem a família perfeita, que, inclusive, ao invés de botar criança no mundo, adota. O lar foi o veículo que eles encontraram para facilitar o processo. A única coisa que não conseguimos explicar é por que adotar em Portugal, se, talvez, eles tivessem mais facilidade no Brasil”.

Fonte: Aleteia

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